março 28, 2004

Último Sonêto

Último Sonêto

Já da noite o polar me cobre o rosto,
Nas lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgôsto!

Do leito, embalde no macio encôsto,
Tento o sono reter!... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem pôsto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por que viveu quem já não vive!

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Copyright ©Manuel Álvares de Azevedo
Posted by Titilador at 12:52 PM | Comments (0) | TrackBack