Já
da noite o polar me cobre o rosto,
Nas lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgôsto!
Do leito, embalde no macio encôsto,
Tento o sono reter!... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem pôsto!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por que viveu quem já não vive!